sábado, 19 de dezembro de 2009

Amiga x Namorado


Você era uma solteira daquelas que saía todo fim de semana com as amigas, bebia até arrastar a cara no chão e dançava enlouquecidamente a música que tocasse. Ficava com o cara que te chamasse atenção ( e quem se importa se ele era bonito? ) e não trocava telefone: tudo pra não se apegar. Era até admirada pelas amigas, que enchiam a boca pra dizer: " A fulana é demais. Enrolou dois na mesma balada." Demais. Você não achava ruim, mas faltava algo. Essa vida de solteira era um pouco vazia no fim da noite e principalmente aos domingos. As vezes tinha um churrasco na casa de um amigo do namorado da irmã da sua amiga, mas as vezes não tinha nenhum programa e você ficava em casa naquele domingão solitário por si só.
Aí você conhece um cara sério. Aquele cara que toda mulher sonha em ter um dia: trabalha, é fiel, companheiro, carinhoso, tudo de bom. O problema é que ele é mais caseiro que quem bebê recém nascido. No começo do relacionamento, ele até saía pra onde você queria, mas com o tempo, os programas de vocês começam a variar e diminuir. Era uma saidinha pra sushi, outra pra pizza e aquele teu corpão de solteira gostosona, se transforma naquele corpo de mulher normal, sem toda aquela gostosura de antes. Mas mesmo assim, você tá adorando. O cara é o genro que sua mãe pediu a Deus e essa vida de "namoridos" era tudo o que você precisava pra aquietar o facho.
Aí as amigas começam a te perturbar: "Vamos lá pra tal lugar, vai ter aquela banda que toca a música tal, que a gente desce até o chão!" Você dá aquele "não"singelo, porque vai sair com o amado. Pronto! Daí pra frente, as suas amigas solteiras vão detestar seu namorado porque ele te prende, não sai e você tá uma chata. Mais um tempinho passa (coisa de semanas) e elas nem te chamam mais, porque você agora "só quer saber de namorar". Resultado: suas amigas solteiras e maravilhosas continuam na pista pra qualquer negócio e você está "presa" no namorado, sem convites pra sair nem até a esquina.
Mas peraí! Você tá amando ter namorado, ter pra quem ligar à noite e dar boa noite. Não ser paquerada o tempo todo é até bom e sobra tempo pra se preocupar com mais coisas importantes. Ele te traz as qualidades que você admira nas pessoas, então por que você tá uma chata? Por que as suas amigas vivem dizendo por aí que "o fulano não deixa ela sair", se é você quem escolhe? Simples. As pessoas têm a mania de julgar pela capa, principalmente os relacionamentos alheios. O mundo é seu, a vida é sua, acontece do jeito que você sabe que acontece, mas as pessoas teimam em distorcer tudo. Então, por mais que você diga pra suas amigas que "quem não sai sou eu, porque não quero e prefiro assistir a um filme agarradinha embaixo do edredon", elas vão continuar achando que é ele quem te impede de sair.
A coisa mais atrasada do mundo é essa visão de algumas solteiras em relação aos relacionamentos das amigas. Algumas não aceitam perder aquela companheira de farra, que segurava os cabelos enquanto ela vomitava; outras até ficam felizes pela colega, mas passa quando recebe a primeira negativa de ir pra farra. Vamos combinar: tem gente que nunca segura um relacionamento. Por que será? Não comecem a me entender mal antes do tempo, mas no seu círculo de amigos, é absoluta certeza que tem sempre uma pessoa que o relacionamento mais promissor durou 2 meses. São quase sempre essas pessoas que não gostam quando você começa a namorar.
Não estou querendo dizer que quando se começa um relacionamento, tem que parar de sair e só ter programas com o namorado. Não, não. Absolutamente. Acho até que os programas de Clube da Luluzinha devem existir sempre, constantemente; e que o namorado tem que se integrar a algumas saidas com a sua galera. Mas fazer o quê se o cara é caseiro? E além disso, existem coisas que não fica legal fazer quando tá namorando. Você vai continuar descendo até o chão com aquele funk, no meio da balada com as amigas? Tem quem faça, mas duvido que existam muitas que gostam do namorado saindo só com os amigos pra uma balada, um pagodinho, cheio de mulher bonita dando sopa. Peraí, meu bem! Você já foi solteira e sabe como as coisas funcionam. O cara é fiel, carinhoso e o escambal, mas é homem. Vai correr o risco?
Amigas solteiras, compreendam. Ser solteira é o máximo. Mas ter namorado também é ótimo. Vamos respeitar os limites de cada um. Amizade não se acaba, não diminui e não se perde porque sua amiga começou a namorar. Se o relacionamento acabar.... Vamo alí descer até o chão?!

sábado, 22 de agosto de 2009

A Tristeza Permitida


Estava eu lendo um livro que comprei a pouco tempo (Doidas e Santas - Martha Medeiros) e me encontrei em uma de suas maravilhosas crônicas. Vi muito de mim e de amigas minhas, que não suportam e não querem sentir dor, ficar tristes... é um inferno, mas é necessário. Pra quem também tem medo de sofrer como eu...

" Se eu disser pra você hoje que acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que normalmente faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair para compras e reuniões — se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem para sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?

Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer para eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.

Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.

A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro da nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.

Depressão é coisa muito mais séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou com si mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente — as razões têm essa mania de serem discretas.

'Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago de razão/ eu ando tão down...'. Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. 'Não quero te ver triste assim', sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar o seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinicius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.

Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip hop, e nem por isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor — até que venha a próxima, normais que somos."

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O nosso melhor.

Já tive a chance de me arriscar várias vezes e abracei a todas sem medo do que poderia vir. Fechei meus olhos pra as piores possibilidades e acreditei somente nas boas, apesar de não serem tão possíveis assim. Chorei muito com o resultado dessa minha "coragem", mas se você me perguntar se me arrependo de ter dado tanto minha cara à tapa, te respondo que não. Nisso tudo, só quem ganhou fui eu!

Sorri quando notei que havia superado toda aquela dor e que ninguém tinha culpa de nada, mas também ninguém era vítima. Todos fizeram parte de uma história, mas dela poucos saem maduros. Uma dessas pessoas fui eu. Saí de cada história amadurecida o suficiente pra não cometer os mesmos erros no futuro. Minhas feridas cicatrizaram pelo meu próprio perdão.

Não guardo rancor, por maior a mentira que isso possa parecer. Pra alguns, perdoar é algo inalcançável. Pra mim não foi porque eu não estava sendo forçada a nada, não estava com ninguém sem querer. Perdoar é uma opção que eu segui pra o meu próprio bem. As pessoas que me "usaram" (e por que não dizer que me deixei usar?) foram as que perderam mais.

É um círculo vicioso enganar pessoas. É um hábito que alguns não querem largar. E ainda assim, parece ser de regra a gente topar com ao menos UMA pessoa assim na nossa vida... Já passei dessa fase e, ainda bem, essa determinada pessoa já passou na minha estrada. Seria querer sofrer tudo novamente se eu a aceitasse de volta. Mas já que paguei minha cota nessa vida, a lei agora é utilizar o aprendido pra não errar de novo.

Hoje ainda tenho minhas bobagens: ciúmes, insegurança, possessividade; mas nada se compara a antigamente. Tenho muito pra conhecer e aprender, eu sei. Mas, acima de tudo, uma coisa eu aprendi: dar valor às pessoas que nos dão valor também.

São exatamente elas que devem conhecer o nosso melhor.

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